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Sejam bem-vindos (as)! Vamos criar interrogações, incentivar a leitura, instigar o pensar, espalhar sementes...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Nordestinos e Sudestinos

“Não sou nada. / Nunca serei nada. / Não posso querer ser nada. / À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa)

         Olá!
        A Revista Carta Capital dessa semana p.p. (nº 675) traz uma reportagem “Especial Nordeste – A nova onda de desenvolvimento regional”. Aponta para os avanços econômicos, sociais, políticos, culturais e  vários outros aspectos da região. Chamou-me a atenção, dentre muitas outras coisas, uma entrevista com o antropólogo, poeta, tradutor e ensaísta baiano, Antônio Risério - A autoestima reconquistada.
        Na entrevista, ao responder sobre como o restante do Brasil vê o Nordeste, ele avalia que há um novo olhar sim, sobre o Nordeste, mas restritos a empresários, políticos, jornalistas cientistas, etc., mas que em plano de massas a mudança ainda é muito pequena. E acrescenta: “A mentalidade sudestina (sim: assim como existem nordestinos, existem sudestinos), de um modo geral, ainda é povoada por velhos estereótipos e preconceitos. Ele aponta como uma das causas do preconceito, a desinformação sobre o que está acontecendo atualmente no Nordeste.
        É fato que o preconceito existe. Muitas vezes, infelizmente, por parte dos próprios nordestinos, que não assumem sua origem e/ou dos seus pais. Costumo “pegar pesado” com a manifestação de preconceito – qualquer tipo de preconceito - seja em sala de aula ou fora dela. Vejo no preconceito, uma atitude de pessoas desinformadas, portanto, ignorantes. E com o advento da internet, em alguns momentos vemos manifestações preconceituosas contra o Nordeste e o povo nordestino que é uma coisa nojenta, grosseira, extremamente doentia. Lamentável! Quero um Brasil como canta o nosso grande Chico Buarque em "PARATODOS": “O meu pai era paulista / meu avô pernambucano / o meu bisavô mineiro / meu tataravô baiano / estou na estrada há muitos anos / sou  artista brasileiro."(...)
        Sabemos que a elevação da autoestima dos nordestinos e de qualquer outros povos e/ou região é fruto da elevação do nível de consciência política da população e da sua participação nas diversas esferas sociais. Na medida em que temos consciência dos nossos direitos (e deveres) e sabemos exercê-los, o nível de autoestima aumenta, pois somos capazes de viver com dignidade, sem submetermos à dominação do coronelismo e/ou qualquer outro grupo (pré) dominante.
        Inevitável a lembrança de que no próximo ano haverá eleição para prefeitos/as e vereadores/as.  É muito importante que os nordestinos e brasileiros em geral não deixem  retroceder as conquistas feitas - inclusive minha terra natal, a Bahia -, mas que saibam reconhecer e prosseguir a luta pelo progresso, justiça, igualdade social. E os sudestinos (gostei dessa nova expressão) e brasileiros em geral que precisam conquistar ou reconquistar sua autoestima – inclusive minha terra de morada, São Paulo – tenham a sabedoria de escolher melhor os seus representantes.  A decisão tomada numa eleição determina que tipo de vida queremos para a comunidade em que vivemos.

*****

Em tempo: Amanhã acontece o plebiscito sobre a divisão do estado do Pará. Não à divisão! Chega de separatistas; seja no Pará, seja no Rio Grande Sul, seja em São Paulo, onde o movimento separatista é camuflado...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Dia D

“Podei a roseira no momento certo / e viajei muitos dias, / aprendendo de vez / que se deve esperar biblicamente / pela hora das coisas." (Adélia Prado, escritora brasileira)

        Olá!
        Mesmo com dez dias de atraso não posso deixar de registrar aqui o fato de termos agora, no Brasil, o dia D. Vai que algum leitor do Mire e Veja Travessia não acompanhou na mídia convencional...
      Nada do dia D da 2ª guerra mundial.  Nem do dia D comemorado na Irlanda, quando não só os irlandeses, mas gente de todo os cantos festejam o escritor James Joyce, anualmente, em 16 de junho, com o Bloomsday.
No Brasil, o dia 31 de outubro será o nosso dia D. Trata-se de uma data criada pelo Instituto Moreira Salles, uma fundação que tem por finalidade a promoção e o desenvolvimento de programas culturais, para homenagear o nosso ilustre poeta Carlos Drummond de Andrade (vide auto-caricatura). Segundo o Instituto, é “um outro dia D, para apagar a guerra e saudar a liberdade, a imaginação, a aliança entre os homens  de boa palavra”. 
A iniciativa foi aplaudida por todos nós que amamos Drummond e várias instituições brasileiras como universidades, escolas diversas, bibliotecas, museus, clubes, etc., onde, a exemplo desse ano, vários eventos foram realizados, como saraus, exibição de filmes, mesas redondas, publicações diversas. Afinal, quem não conhece e gosta dos poemas “José”, “Poema de sete faces”, “No meio do caminho”, “Sentimento do mundo”, “Caso do vestido”, “Quadrilha” e o lindo poema “Mãos dadas”? (Só para citar alguns mais conhecidos...)
Encontro-me em licença prêmio e não pude, nesse ano, comemorar a data com meus alunos e alunas. Acompanhei pelos jornais. Mas só de pensar, vem mil ideias à cabeça. Imagine então em 2012 quando completa os 110 anos de nascimento de Carlos Drummond de Andrade e os 25 de sua morte. Sabe-se que (depois de 27 anos tendo seus livros publicados pela Record), a Companhia das Letras começa a reeditar toda a obra do escritor, com novo projeto gráfico e conselho editorial próprio. Drummond também será homenageado em Paraty, já que será o tema da Flip (Feira Literária de Paraty- RJ) do próximo ano.

Ele merece!!!

Ia terminar essas palavras com um poema de Drummond. Mas resolvi mostrar uns versinhos que fiz sobre as “minhas” comemorações de outubro. Quando soube do dia D pensei: O mês de outubro é “meu mês”.
Ps: Espero que meus ilustres leitores não se decepcionem com os humildes versos e que Drummond não se revire no túmulo por troca tão desigual.
Vamos lá?





Meu Mês
Outubro vem
trazendo as flores  de setembro,
Da primavera,

com “São Francisco  pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho”.

E Nossa Senhora Aparecida traz esperança
Vem abençoar o Brasil
Junto com as crianças.

Os professores chegam
Para lutar; e comemorar
O seu papel de iluminar.

 São Lucas vem em seguida
Abençoar os médicos
E proteger a vida.

Chega também
o aniversário do meu marido
E de amigos especiais e queridos.

Vem o dia de quem trabalha para o povo
e dele recebe o seu salário:
O funcionário público que deve honrar o seu trabalho.

No mesmo dia São Judas Tadeu
Apóstolo de Jesus
Nas grandes necessidades, nos mostra a sua luz.

Num feliz dia de outubro
Do meu ventre uma criança nasce;
Linda! Abençoada! Mostra-me, de Deus, a sua face.

Para completar o meu mês de festas
Criou-se o dia de Drummond,
O meu poeta “gauche”.

E agora, para fechar:
- Saiam bruxas americanas!
Deixam o Saci entrar.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mensagem da Criança

“A educação infantil é tudo; o resto, quase nada..." (Celso Antunes, escritor e educador)

 Olá!
Falando em criança, educação infantil, como mãe tive experiências e vi experiências de outras mães...  As escolas, com algumas exceções, apregoam e praticam uma educação em que excesso de tarefas é sinal de qualidade e pensar no “futuro” é bandeira maior. Os vestibulares, o mercado de trabalho, a competição, já fazem parte do discurso nessas escolas desde muito cedo. Quase sempre tratam as crianças como “pequenos” adultos; os ambientes incentivam o consumismo, pensam e pregam somente o futuro e esquecem que as crianças, como qualquer ser humano, precisam e devem viver o presente; pouco entendem de criança. O pior: os pais, quase sempre, concordam e avaliam a qualidade de ensino de uma escola por esse ângulo.  
 Para quem gosta e/ou educa crianças, deixo aqui uma linda mensagem.



Mensagem da Criança

Dizes que sou o futuro:
Não me desampares no presente.

Dizes que sou a esperança da paz:
Não me induzas à guerra.

Não desejo tão só a festa do teu carinho:
Suplico-te que com amor me eduques.

Não te rogo apenas brinquedos:
Peço-te bons exemplos, boas palavras.

Ensina-me o trabalho e a bondade, 
a honestidade e o perdão.

Orienta-me para o caminho da justiça.

Corrige-me enquanto é tempo,
mesmo que eu sofra...

Ajuda-me hoje, para que amanhã 
eu não te faça chorar...

Fonte: Edições Paulinas (gratuidade 09)

 ***

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Crônica

“Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para poder voltar inteira” (Cecília Meireiles)
Larissa Lima Meira

Meu ideal seria escrever...
Rubem Braga

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse - "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria - "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse - e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse - "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago - mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem - "mas de onde é que você tirou essa história?" - eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

Texto: Rubem Braga, “A traição das elegantes”, Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967. Foto de ilustração: Larissa Lima Meira, ex-aluna e estudante de jornalismo.

sábado, 10 de setembro de 2011

Poema

“Porque quem ama nunca sabe o que ama / Nem sabe por que ama, nem o que é amar..." (Fernando Pessoa)

Muitos alunos(as) e outras pessoas já me disseram que passaram a gostar de poesias a partir do contato com elas aqui no blog ou mesmo em sala de aula. Hoje deixo  no Mire e Veja Travessia uma bonita poesia de Fernando Pessoa... Afinal, quem nunca escreveu uma carta de amor?

CARTAS DE AMOR...

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Álvaro de Campos, 21/10/1935 (heterônimo de Fernando Pessoa)



terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pequena Reflexão sobre Educação

“Não busco discípulos para comunicar-lhes saberes. Os saberes estão soltos por aí, para quem quiser. Busco discípulos para neles plantar minhas esperanças” (Rubem Alves)

Olá!
Como já disse aqui no Mire e Veja Travessia, gosto muito de passar na “casa do Rubem Alves”. Concordo com os pensamentos (ou seria os sonhos?) dele e me abasteço com leituras sempre enriquecedoras. De lá trouxe esse pequeno texto para nossa reflexão...

 ***                                                         * * *                                                                                                  
 “O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das "ciências da educação" não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer. Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer porque não existe coisa mais importante que educar. Pela educação o indivíduo se torna mais apto para viver: aprende a pensar e a resolver os problemas práticos da vida. Pela educação ele se torna mais sensível e mais rico interiormente, o que faz dele uma pessoa mais bonita, mais feliz e mais capaz de conviver com os outros. A maioria dos problemas da sociedade se resolveria se os indivíduos tivessem aprendido a pensar. Por não saber pensar tomamos as decisões políticas que não deveríamos tomar. Se você desejar saber com detalhes o que penso sobre a educação, leia os livros que se encontram na sala Biblioteca. Nas minhas conversas com educadores meus temas favoritos são: A alegria de ensinar, A educação dos sentidos, O prazer de ler, A arte de pensar, O educador como sedutor, O educador como feiticeiro, O educador como artista, O educador como cozinheiro, As leis do pensar criativo, Anatomia do pensamento: informação, razão, inteligência, conhecimento, alegria, Aprendendo a desaprender, Entre a ciência e sabedoria: o dilema da educação, Educação e política, Educação e Vida, Aprendizagem e prazer.”
(www.rubemalves.com.br/quartodebadulaques)

*Grifo meu.

sábado, 6 de agosto de 2011

Poema: "SE"

“A poesia purifica a alma / E um belo poema sempre leva a Deus!” (Mário Quintana, poeta brasileiro)

 
         Hoje deixo no Mire e Veja Travessia o belo poema “SE”,  do documentário “Deus me Livre de Ser Normal", do professor Hermógenes*(foto). Um poema que traz reflexões profundas, com palavras transformadoras, de um sábio mestre e poeta. Seus livros têm sido fonte de luz para muitas pessoas e  fonte de pesquisas para vários cientistas brasileiros e também estrangeiros.    




 SE

Se, ao final dessa existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

Se eu tiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...

Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...

Se continuar mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto e simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...

Se, ainda incapaz
Para a beatitude das almas santas,
Precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiro e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...

Se imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...

Se, ao fim dos meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante do meu fim.

Se tudo isso acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.







*Professor Hermógenes: Filósofo, poeta, escritor (com mais de 30 livros publicados) e terapeuta. É considerado o pioneiro na medicina holística no Brasil e autor de "Autoperfeição com Hatha Yoga".
www.profhermogenes.com.br


*Grifo meu.