“Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução” (Machado de Assis)
Olá!
No dia 29 de junho de 2011, publiquei um texto aqui nesse blog falando do primeiro livro de Thierry De Burghgrave: “Vagabundos, Não Senhor! – Cidadãos Brasileiros e Planetários”. Hoje, exatos 12 anos depois, publico um texto que escrevi, carinhosamente, para o evento de lançamento do seu segundo livro: “Vício... Sonho... Até Parece Castigo! – Vivências e notícias de garimpos de quartzo na Bahia”, onde fui representada brilhantemente pela minha querida sobrinha, Danny Oliveira, no dia 10/06/2023, na minha cidade natal.
Vamos ao texto?
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Ilustração: Camila De Burghgrave Bastos |
Caríssimo amigo Thierry, companheiros e companheiras de luta
e de caminhada, familiares, autoridades aqui presentes e demais pessoas:
Adélia Prado, querida mestra da poesia brasileira, diz: “A
coisa mais fina do mundo é o sentimento”. E eu começo falando de sentimento!
Sentimento por não poder estar presente nesse momento aí com vocês prestigiando
o lançamento do livro do meu amigo Thierry De Burghgrave. Alguns compromissos
por aqui impossibilitaram uma viagem minha à Bahia nessa data. Mas há o sentimento
também de presença, de saber que, mesmo distante, eu posso estar presente com
as minhas energias, meu entusiasmo e também por meio dessas poucas e singelas
palavras.
Quero, de início, parabenizar o meu amigo Thierry pelo livro
e pelos 50 anos de Brasil, completados no ano passado. Sua trajetória nesses 50
anos foi marcada por grandiosos serviços prestados ao povo brasileiro e ao povo
do nosso Município de Brotas de Macaúbas onde fixou sua morada e construiu sua
família brasileira. O seu trabalho e a sua dedicação têm contribuído para o
enriquecimento dos bens culturais da nossa terra, para o fortalecimento de
várias lutas, caminhadas e para muitas conquistas do nosso povo. O lançamento
do seu segundo livro: Vício... Sonho.... Até parece castigo! – Vivências e
notícias de garimpos de quartzo na Bahia, é, sem dúvidas, mais uma contribuição
nesse sentido, dado pelo seu valor histórico, cultural e literário.
Tive o prazer e a honra de escrever o prólogo desse livro. Quero
dizer que foi muito bom o mergulho nos seus textos nessa viagem literária, como
também foi muito enriquecedor os nossos diálogos enquanto lia o livro para
escrever o prólogo. Compromisso, seriedade e competência estão sempre presentes
em tudo o que você faz. E esse seu novo livro está aí para provar isso.
Vivemos em uma sociedade onde, principalmente nas últimas
décadas, tentaram sucumbir a nossa luta e a nossa esperança. E até nesse momento estamos vivendo as consequências
desse “apagão cultural”. Negligenciamos muito nessa parte e a fatura chegou:
fundamentalismo religioso, desrespeito ao Estado Democrático de Direito,
individualismo e negação à ciência. Muitas vidas humanas foram ceifadas,
florestas foram devastadas, e até os animais não foram poupados. A “Mãe-Terra”,
nossa “Casa-Comum” pede socorro. E os depredadores, as elites insaciáveis, o
agronegócio, ainda tentam impedir o trabalho dos órgãos que protegem a nossa
natureza e tentam criminalizar os movimentos sociais, com a criação da CPI do
MST, por exemplo.
É imprescindível que possamos nos fortalecer na luta e no
trabalho de conscientização em todos os cantos desse nosso Brasil. É preciso
que as escolas, sindicatos, igrejas, associações, partidos políticos e demais
movimentos sociais resgatem o seu papel de conscientização, de formação cidadã.
No capítulo 9, páginas 185-186, desse livro que ora é
lançado, Thierry aborda um fato de grande relevância, dentre tantos outros
fatos relevantes abordados nesse livro. O alerta que fez às autoridades,
pesquisadores locais e também sobre o papel das escolas, num dia de comemoração
da emancipação política e administrativa do município de Brotas de Macaúbas sobre
a importância de resgatar a história do nosso povo que: “diante de tantas
adversidades de ordem política, social, ambiental e climática, enfrenta essa
luta sem perder sua dignidade e sua coragem” – diz ele. E enfatiza: “enfocando
particularmente o ponto de vista dos “vencidos”, não dos coronéis e da elite”.
Logo depois ele exemplifica o trabalho do professor José
Calasans sobre a guerra de Canudos. Que bom que ele falou isso em 2017. Que bom
que eu posso citar isso agora em 2023. E que bom que isso está registrado nesse
livro. Sem entender esse papel básico educacional, estaremos sempre fadados a
suscetíveis vulnerabilidades social e política perante a classe dominante,
enfraquecendo, portanto, o nosso papel de cidadãos e cidadãs.
Queremos educação, cultura, saúde, a terra dos povos
indígenas sendo respeitada, respeito às diversidades de gênero, raça, cor,
orientação sexual e religião. Queremos nossas matas preservadas, comida
saudável na mesa, respeito aos trabalhadores do campo e da cidade.
Dito isso, aproveito o ensejo maravilhoso do lançamento de um
livro para conclamar aos estudantes, aos jovens e às pessoas aqui presentes que
leiam. Leiam esse livro. Leiam outros livros.
Debrucem sobre um livro ou, pelos menos, sobre alguns capítulos. O mundo
frenético das tecnologias, muitas vezes nos afasta da leitura. Precisamos
despertar e/ou resgatar esse hábito que tantos benefícios traz para nós. E eu
não me contenho e cito Adélia Prado mais uma vez: “Quem entender a linguagem
entende Deus / cujo Filho é Verbo”.
Concluindo, quero mais uma vez dizer: Parabéns, caro amigo Thierry!
Parabéns pelo livro e parabéns pelo seu trabalho! Você fez e continua fazendo
história em Brotas de Macaúbas. Sinta a minha presença, receba o meu abraço
fraterno, extensivo ao pessoal de luta das nossas comunidades e todas as
pessoas que prestigiam esse evento.
Grande abraço!
Eliran Oliveira