Seja bem vindo (a)!

Sejam bem-vindos (as)! Vamos criar interrogações, incentivar a leitura, instigar o pensar, espalhar sementes...

domingo, 15 de julho de 2012

Lembrete

“Poesia, a minha velha amiga... / eu entrego-lhe tudo / a que os outros não dão importância nenhuma...” (Mário Quintana, poeta brasileiro)


Saudades de poesia, dos poemas; mesmo pequeninos... Eles nos falam por meio de metáforas. Isso é maravilhoso!



LEMBRETE
Não deixe portas entreabertas.
Escancare-as
ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
passam apenas semiventos,
meias verdades
e muita insensatez.

FIGUEIREDO, Flora. Calçada de verão. Poemas. Editora Nova Fronteira – 1989

domingo, 1 de julho de 2012

Por causa de um certo Reino

"Ao final do caminho me dirão: - E tu, viveste? Amastes? E eu, sem dizer nada, abrirei o coração cheio de nomes.” (Dom Pedro Casaldáliga)


  Olá!

      30 dias de páscoa de um evangelizador combatente: Padre João Cristiano. E é difícil falar dele! São muitas histórias... Daria um livro.

Por causa de um certo reino decidiu ser sacerdote e, a exemplo de Santo Afonso, saiu para evangelizar... De sua terra natal (Amsterdam – Holanda)  veio morar no Brasil, passou algum tempo em São Paulo e foi para a Bahia, mais precisamente para a diocese de Barra, região muito carente. Inspirado e animado pelas ideias do Concílio Vaticano II, Johannes Christiaan Franciscus Appelboom, o Pe. João Cristiano, foi ser pároco em Brotas de Macaúbas e por lá viveu mais de 40 anos. A cidade que "ele escolheu para viver e para morrer", segundo Dadá Ferro, meu amigo.

        A "CONSTRUÇÃO DO REINO DE DEUS AQUI NA TERRA" era a sua missão e a maior lição pregada pelo combatente evangelizador. Nós, que pertencemos ao seu "rebanho" por muitos e muitos anos, com certeza nunca esqueceremos essa lição. Semente plantada e cultivada. Para ele a maior tarefa daqueles que se dizem cristãos é promover  justiça, igualdade, fraternidade, solidariedade e dignidade humana, atuando firmemente na sociedade para transformá-la, pois Cristo veio ao mundo para isso: para fazer a vontade do Pai: “Que todos tenham vida, e vida plenamente” (Jo, 10, 10). As orações seriam o nosso alimento espiritual para atuar como sal, luz e fermento, fazendo o reino de Deus acontecer e crescer aqui na terra.

      Como pároco, ele anunciava e denunciava... Óbvio, não agradava àqueles que detinham o poder e faziam disso um meio para oprimir e alienar o povo. Era “uma pedra no sapato” da elite política brotense, pois denunciava a corrupção, a incompetência política e a falta de compromisso dos administradores do dinheiro público. E organizava as comunidades. Isso, para ele, era parte fundamental da evangelização. Alvo de críticas constantes, nunca mudou seus ideais e nunca se amedrontou ou desanimou nem por um segundo. Consumia o seu tempo (e o nosso! Ufa!) à sua maneira, na construção desse certo Reino.  Perfeccionista ao extremo encontrava em mim (também perfeccionista) uma aliada na parte burocrática, que, ao que parecia, eu fazia do seu jeito; com seus caprichos. Quantas noites em claro, nos relatórios, prestações de contas, etc. E...na máquina de escrever!!! Não podia errar! (Por causa de um certo Reino...)

       Com ajuda financeira de entidades do exterior, de amigos e familiares, pe. João fazia, como diz o nosso povo, “coisa que até Deus duvida”. Foi radical? Foi! Polemizou? Sim.! Muitas vezes impunha ideias? Sim! Era preciso ficar de olhos abertos, pois o homem era poderoso e esperto! Mas em nenhum momento decepcionou o seu rebanho. Procurava ser justo sempre. Quando se tratava de dinheiro então, era justo, justíssimo, como diria José Dias, personagem de Machado de Assis.

      E foi construindo esse Reino... Trabalhava incansavelmente com a sua equipe na formação das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), abrindo estradas, literalmente, tais eram as condições de acesso às comunidades naquela época. Criava todos os meios e instrumentos que achava necessários para tal: entidades, materiais, pessoal, tempo... (“tempo é questão de preferência” - dizia!). E desbravava! 

      Hoje temos comunidades que sabem se organizar, povo mais consciente e livre, e há quatro  anos temos um município governado de forma democrática; o dinheiro do povo vai para o povo, a busca pela dignidade humana é perseguida incansavelmente e a vontade de pagar e apagar tantas injustiças e atrasos do passado vem sendo perseguida! Conquistar um governo assim com uma história de décadas de opressão e alienação não é fruto do acaso. É fruto do trabalho de um povo e suas lideranças comprometidas. E aí tem destaque o trabalho de pe. João, e esse reconhecimento é unanimidade em toda região.

      Assim, Johannes Christiaan Franciscus Appelboom, fica na memória e nos corações, e entra, definitivamente, para a História de Brotas e dos brotenses. 

Um pastor que lutou por seu rebanho. E, com certeza, continuará lá no céu olhando com muito carinho por esse povo que ele escolheu para evangelizar. Descanse em paz, evangelizador combatente, corajoso! Não se esqueça do povo brotense que também o adotou como filho. Continue o ajudando a avançar sempre na caminhada pela justiça, paz, democracia e dignidade, "CONSTRUINDO O REINO DE DEUS AQUI NA TERRA".


PS: última vez que passei na C.S.A.,  pe. João não estava. Deixei com Zezinho um DVD (que sempre me esquecia de levar) de uma belíssima apresentação na catedral da Sé aqui em São Paulo da qual meu filho participou – Paixão segundo São Mateus – Johann Sebastian Bach. Recebi dele uma simpática carta de agradecimento! Sabia dos gostos dele!

*"Por causa de um certo reino: Nome de uma música de José Fernandes de Oliveira scj (pe. Zezinho)

Pintura feita por Meire Santos em homenagem aos 50 anos de sacerdócio de Pe. João Cristiano em 03/12/2011
Pe. João Cristiano (1º à esquerda) - entrega de certificados para alunos do SEDEC
 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Heróis do Futuro - RIO + 20

“A natureza pode suprir todas as necessidades do ser humano, menos a sua ganância.” (Mahatma Gandhi, ativista indiano)


Emerson Costa Santos
         Com a produção desse vídeo que divulgo abaixo, o meu querido amigo e ex-aluno Emerson Costa Santos e seus colegas Raphael Nerger, Lucas Eduardo Gomes, Lucas Silva Terra e Michel Ramos Pereira, todos do SENAI, tiveram a oportunidade de  marcar presença na RIO + 20, um evento de grande importância, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que  realiza-se agora, de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro.
        Eles participaram de um concurso - Heróis do Futuro “o game do SESI, onde você aprende a construir um mundo melhor, concorre a prêmios incríveis e ainda pode participar da Rio+20”
       A  Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, e deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.
        O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.
         A Conferência terá dois temas principais:
- A  economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável;
- Erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.
        Com grandes e importantes temas para discutir e decidir sobre a preservação do meio ambiente, a RIO + 20 será um evento muito importante para todos que moram no PLANETA-TERRA. Afinal, a mãe terra pede socorro.
        Emerson  faz faculdade de Engenharia Mecânica, continua no SENAI e trabalha na ETEC do Jaraguá. Uma pessoa que não mede esforços para lutar pelos seus objetivos e vem sempre os alcançando. Parabéns, Emerson! Continue atuante, brilhando e trabalhando sempre pelo bem social. Sejamos todos heróis do futuro... E do presente...



 Membros do Grupo: Emerson Costa Santos (líder), Lucas Eduardo Gomes, Lucas Silva Terra, Michel Ramos Pereira e Raphael Augusto Nerger

terça-feira, 15 de maio de 2012

Poema: Carta ao velho pai


“Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver.” (Bertolt Brecht)

        Nas minhas  fases de introspecção (agora, por exemplo), leio sempre as obras das poetisas Adélia Prado, Cecília Meireles, Cora Coralina, Florbela Espanca, Flora Figueiredo, etc.
        No livro Calçada de verão que ora leio, dentre outros poemas, me identifiquei com esse que transcrevo abaixo. Tudo a ver comigo que vivo a dor da "partida" do meu painho, e reflito sobre os seus ensinamentos, o seu amor, os valores passados para nossa família, principalmente por seu exemplo de vida. 
        Te amo, querido painho. Muito! Sempre! 

Carta ao velho pai
Flora Figueiredo*

Não sei onde é que você está
mas eu o escuto
em todo caminho e a cada minuto.
tenho a sensação
que acabei de desatar de sua mão,
na despedida.
Guardo nos olhos
o último aceno da partida.
Trago já alguns cabelos brancos
frutos inegáveis
dos meus trancos e barrancos
e um vinco marcado
de algum lado do espelho.
Mas não esqueci o ensinamento
de pintar o mar de azul profundo
e colorir o mundo de vermelho,
a despeito da chuva e apesar do vento.
(...) e como criança
fico procurando ansiosa uma lembrança
ao pé da chaminé
Só que o que encontro na verdade
é um embrulho lá de não sei onde
que esconde imenso, num papel dourado,
um tempo vivido e já guardado
num pacote doce de saudade.

*Figueiredo, Flora.  Calçada de Verão, ed. Nova Fronteira – página 35

******
 
Hoje, 18 de maio, acrescento a esta postagem, palavras poéticas do meu sobrinho Cássio Murilo (foto) que, assim como eu, vive a experiência da dor da saudade do vô, longe da família.
Palavras chaves desta postagem: FAMÍLIA, AMOR, CARINHO, SOLIDARIEDADE, ENSINAMENTOS, SABEDORIA, UNIÃO, VALORES, SAUDADES...

*****
À memória de um grande homem: Juraci Oliveira
por Cássio Murilo, terça, 15 de Maio de 2012 às 22:46 ·


A estrada longa, num caminho belo,
cheio de mato, cheio de flores, córregos, aromas...
As árvores quase atingiam o céu...
Os buritizais eram "o lugar"...
No córrego depois do brejo, não corria apenas água,
mas também alegria; não uma alegria qualquer, mas sim a "primeira" alegria!
A de quem começou tudo aquilo, com apenas os seus amores ao seu lado:
seus queridos filhos e a adorada esposa...
E essa alegria permanece ali até hoje!
É esse o lugar! Onde a tranquilidade mora...
Onde o "cocoricó" do galo é muito mais bonito na madrugadinha linda naquela cama gostosa, na claridade que atravessa o telhado logo cedo com uma pequena fenda decorrente de uma telha afastada do seu devido lugar.
Era lindo ver aquele amor... Aquele cuidado com a terra, com as suas criações...
O capim chega até os joelhos na época das águas, que é a época que a alegria aumenta cada vez mais.
Não que essa alegria deixava de existir na seca, muito pelo contrário, era sempre a mesma alegria acrescida de um pouquinho mais a cada dia que se passava.
Ele nos mostrou isso... Ele nos ensinou isso... Ele nos deu a sua alegria...
Não tinha como não se sentir bem ali...
O "Coração Sertanejo" dele sempre foi, não só o lugar dele, mas também o NOSSO!
E é conosco que ele está agora!
Ao lado de Deus, cuidando de nós, vendo a alegria que agora está em nós.
Vô Jura, meu avozinho querido:
Amamos-te muito!
Que a acolhida por Deus tenha sido embebida de alegrias e satisfações, afinal, o senhor merece!
Sempre nos ensinou o valor da vida...
Guiou-nos sempre que descuidamos e saímos do caminho...
Tenho muito, muito, muito, muito orgulho de ser seu neto;
bato no peito, cheio de orgulho porque EU CONHECI JURACI DE OLIVEIRA!
O PRIMEIRO*! O QUE COMEÇOU TUDO! O QUE TANTO AMAMOS!
Vô... Te amo muito! O senhor está comigo sempre!
Descanse em paz, avozinho querido!
O senhor se foi, mas as lembranças e seu carinho permanecerão sempre!

p.s. *Cássio se refere a Juraci, o primeiro, porque o pai dele, meu irmão (de quem sou fã), também se chama Juracy (o segundo).

terça-feira, 1 de maio de 2012

Liberdade Capital

“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres” (Rosa Luxemburgo)

Pintura de Tarsila do Amaral - Os operários - 1933
       Comemora-se hoje, o dia dos trabalhadores. Muitas conquistas foram feitas. Muitas ainda por fazer. A exploração da mão de obra infantil, dos jovens e muitos trabalhadores continua evidente nos mais diversos setores da sociedade, seja no campo ou na cidade. A exploração continua... Portanto, a luta pelos muitos direitos ainda negados aos trabalhadores de hoje, continua! Viva os trabalhadores e as trabalhadoras brasileiras!
        Deixo um poema, palavras de um jovem, que reflete sobre o mundo do trabalho.


 Liberdade Capital
 Carlos Henrique Ferreira da Silva*

Escravidão, Capital,
Que tal?
Explorar o trabalhador
Dar a ele pouco, pouco, pouco,
Do muito, muito, muito.

Capitalismo,
Lucro,
Juros
Dívida,
Escravidão.

Escravos do capital,
Libertai-vos,
Quereis o direito
O vosso
A partilha.

Capital, monstro contemporâneo,
Tão antigo!
Silenciosamente,
Deixa o lucro
Nas mãos de poucos, de alguns, de uns.

Todos trabalham
Querem férias
Da desigualdade social,
Da pobreza em massa,
Das desgraças capitalistas,
Longas férias...

Saia capitalismo,
Dê lugar a todos,
Ao povo trabalhador,
A sociedade.

Carlos Henrique – primavera de 2010. 

* Carlos Henrique Ferreira da Silva, atualmente estudante de Filosofia - PUC - Campinas - S.P.

sábado, 7 de abril de 2012

Pequena travessia do mire e veja

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos". (Fernando Pessoa)

      Até esse momento fiz uma experiência “pedagógica” com o blog (com link no blog da escola e tudo mais). Foi uma experiência maravilhosa que ficará registrada aqui no Mire e Veja e em meu coração, com todo carinho, para sempre. Sem a a participação e ajuda "técnica" dos meus alunos, especialmente do Carlos, esse blog não chegaria à metade da beleza que tem.  Muitos alunos (as)  fizeram seus blogs, trocamos ideias, aprendemos juntos.
        Com o tempo senti, em vários momentos, a necessidade de ampliar o conteúdo do blog. Aproveitei os fatos de ter mudado de escola (depois de muitos anos...), fazer outras “travessias”, e pensei: é o momento! Tirei o "professora" (Ufa! Quanta responsabilidade!), e agora, quem passa a escrever é a Eliran; simplesmente.
       O que muda? Terei mais liberdade para abordar outros temas, ir além... Evidente que o blog continuará “recheado” de temas educacionais, literários (poesias! Muitas poesias! Amo-as!), etc., pois “respiro” isso no meu dia-a-dia. E gosto. Muito! Sei que continuarei contando com o meu publico querido, fiel e carinhoso de sempre e agregando mais público, espero.
      Conto com a compreensão e participação de todos. Costumo dizer que, das “redes sociais”, o blog é o mais ingrato. Não traz o retorno instantâneo e animado do facebook, MSN, etc. Daí entendo porque todos que começaram esse trabalho na mesma época que eu, estão com seus blogs “parados”.
        Parafraseando a metáfora do escritor Rubem Alves, no blog tomam a nossa “sopa” e nem sempre nos dizem se está boa ou ruim... Ou ainda como diz a poetisa Flora Figueiredo: “Das sementes que espalhei, / quero floradas”.  A despeito disso, das redes sociais, o blog continuará sendo minha prioridade. Nele procuro despertar para o pensar e o gosto pela literatura, dentre outras coisas; vejo “minha obra". Singela, sim. Pequena. Mas a minha obra, como diria o filósofo e educador, Mário Sérgio Cortella.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Literatura de Cordel

“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores.” (Cora Coralina, poetisa brasileira)

           Olá!
        A Literatura de Cordel é uma espécie de poesia narrativa popular, originalmente oral e ganhou este nome, pois as poesias eram expostas ao povo, amarradas em cordões estendidos nas ruas e lojas de mercados populares. Chegou ao Brasil no século XVIII e foi se tornando cada vez mais popular, principalmente no Nordeste. Atualmente, felizmente, a Literatura de Cordel vem conquistando cada vez mais espaço e público em São Paulo e em vários cantos  Brasil.

        Hoje mostro a arte poética de Rosinha Noronha (foto), minha  amiga, professora de Língua Portuguesa, que trabalhou na área de tradução na iniciativa privada, e hoje, aposentada, entrega-se à beleza da poesia, participando de um grupo que faz oficinas de Literatura de Cordel, sob a orientação da poetisa e cordelista Cleusa Santos.
        A cada ano é publicado um pequeno livro com as poesias produzidas pelas “cordelistas”. De um desses livros, “Retalhos em Cordel", com produções belíssimas, que vem “Perfeita União”, poema que ora publico. Como sei que ficará um gostinho de “quero mais”, publico também “Alforje” (que um dia, declamamos e curtimos juntas), composição da Meg, amiga de Rosinha.
       Vamos aos poemas:


PERFEITA UNIÃO
Rosinha Noronha

Trabalho deve ser fonte,
Sempre de felicidade.
Não devemos ter preguiça,
E também não ter maldade.
Viver com muito amor,
Competência e verdade.

Não devemos separar,
Trabalho de diversão.
A felicidade surge,
Desta linda união.
Entretanto só não faça,
Por pura obrigação.

Procure sempre obter,
Muito prazer no que faz.
Viva com grande paixão,
Disso você é capaz.
Fazendo tudo que gosta,
Com certeza terá paz.

Nestes versos que lhe fiz,
Creia, não estou mentindo.
Se prestar bem atenção,
Verá que estou curtindo.
Não sei se estou trabalhando,
Ou se estou me divertindo.


*****


ALFORJE
Meg

Mandei fazer um alforje,
Pedi para reforçar,
Pra caber meu violão,
Que me inspira a cantar.
Com ele levo também,
A magia do luar.

Do outro lado do alforje,
Coloquei a solidão,
Os momentos que são meus,
O pulsar do coração.
O silêncio das palavras,
Que falam pela emoção.

No fundo do meu alforje,
Uma noite angustiosa,
Lágrimas de desespero,
E tampei com uma rosa,
Pra perfumar tudo isso,
Que acabou virando prosa.

Verificando o alforje,
Nele também depositei,
Meus amores impossíveis,
Que um dia eu amei.
Empurrei lá para o fundo,
E mais flores coloquei.

Completei o meu alforje,
Com toda vivacidade,
Esperança, alegria,
E também fraternidade.
Para nunca mais faltar,
Muito amor, paz e bondade.

Revirei todo o alforje,
Para ver se ainda cabia,
O sonho, a ilusão,
Coragem, sabedoria.
Pra não carregar comigo,
O peso da agonia.

Caminhando com o alforje,
Estava ele bem pesado,
Coloquei sobre a areia,
E recordei o passado.
Revi cenas amargas,
Melhor não ter recordado.

Fui desatando o alforje,
Bem defronte ao mar aberto,
E tirando um a um,
O errado e o certo,
Pedi que a água levasse,
Não deixasse nada perto.

Esvaziei o alforje,
Para casa fui voltando,
Senti a leveza da brisa,
Pela rua andei cantando,
Qual alegre bem-te-vi,
Novas emoções juntando.