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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Redação


"Aprender sem pensar é tempo perdido."  (Confúcio, pensador e filósofo chinês)

 
Adrielly Bueno

       Olá!
     Eu de volta aqui no Mire e Veja com aquele carinho de sempre.  Hoje publico uma Redação de Adrielly Bueno, uma ótima aluna do 2º F, para a visualização e apreciação de todos e todas.
     Os textos motivadores foram:  Ninguém = Ninguém (Engenheiro do Hawaii) e Uns Iguais aos outros (Titãs), um pequeno trecho da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural (UNESCO) e uma foto  que representa mistura racial.
O tema foi: “O desafio de se conviver com a diferença” (ENEM)
      Vale lembrar que a minha querida colega, Professora Márcia Martelli, trabalhou “Paratodos” (Chico Buarque) e tema semelhante em suas aulas de sociologia. É o que chamamos de interdisciplinaridade.
      Obrigada, Adrielly por permitir compartilhar o seu texto aqui no Mire e Veja. Parabéns, querida aluna. Já estava com saudades desse tipo de postagem aqui no blog...

Redação: 

Convivendo e aprendendo

          Hoje em dia convivemos com pessoas de diversas culturas, raças e estilos. No Brasil temos uma imensa diversidade cultural, já que há vários imigrantes. Não é apenas no Brasil que temos muitas pessoas diferentes umas das outras. Vários países no mundo são assim, principalmente os que têm boas chances de emprego e lugares seguros.
        A diversidade é muito importante para os seres humanos. Ela faz com que as pessoas aprendam conviver, saber sobre outras culturas, e assim, criar interesse para conhecer lugares diferentes e conviver com diferenciados grupos.
         Essa variedade de estilos e raças influencia nas amizades. Um pode ser branco e o outro negro, mas podem ter os mesmos pensamentos sobre determinados assuntos. A partir daí surgem grupos de amizades e/ou de estudo formados com pessoas de estilos totalmente diferentes, porém com muita coisa em comum.
Existem pessoas que têm dificuldades ou não aceitam conviver com outras pessoas de raças diferentes e acabam insultando e machucando seriamente essas pessoas, o que é considerado crime. Pessoas assim não são éticas e têm sérias dificuldades de convivência o que é prejudicial para ela, para os que vivem à sua volta e para os que sofrem por culpa dela.
        Devemos respeitar uns aos outros, pois essa convivência com as diversidades é essencial para novos aprendizados. A sociedade será melhor se todos respeitarem as diferenças e reconhecerem o que há de comum em cada pessoa. Podemos ser diferentes na aparência, nas tradições, mas somos todos humanos e vivemos em uma sociedade.

Adrielly Bueno  - Nº 1 – 2º F
 

sábado, 6 de abril de 2013

Os ipês-amarelos

"Existe no silêncio, uma tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta." (Fernando Pessoa)


Rubem Alves
 
       A revista bons fluidos desse mês traz uma entrevista com Rubem Alves  com o título: Encantador de palavras; e, ao final, trechos da primeira coluna dele publicada na mesma revista, em novembro de 2004. Achei muito bacana – como sempre – e publico aqui.
      Rubem Alves, para mim, é encantador de palavras, de alma, de educação, de vida e muito mais. Aguardando ansiosamente o seu mais recente livro: Lições do velho Professor.


                     Os ipês-amarelos
O que você ama define quem você é

Ipês
Acho curriculum vitae uma coisa boba. Sei que os burocratas sem eles se sentiriam perdidos. Por amor aos burocratas e curiosos fiz uma concessão: coloquei o meu na minha homepage. Mas lhe dei um nome novo. Curriculum, em latim, quer dizer pista de corrida. Um curriculum vitae é, assim, uma enumeração dos lugares por onde se passou, na correria da vida. As coisas que eles registram não existem mais. O que é passado está morto. Assim, na minha homepage, ao invés de curriculum vitae eu escrevi curriculum mortis, porque eu não sou o meu passado. Eu sou o meu agora. De um pianista que vai iniciar o seu concerto não se espera que ele diga os nomes dos professores com quem estudou... Dele só se espera uma coisa: que se assente ao piano e toque...

...Ao final de uma entrevista o entrevistador me fez a última pergunta: “Como é que o senhor se definiria?” Fui pego de surpresa. A resposta teria de ser curta. Lembrei-me da frase que o poeta Robert Frost escolheu para seu epitáfio: “Ele teve um caso de amor com a vida...” Encontrei minha definição em mim mesmo. Respondi: “Eu tenho um caso de amor com a vida...”

Uma professora me contou esta coisa deliciosa. Um inspetor visitava a escola. Numa sala ele viu, colados nas paredes, trabalhos dos alunos acerca de alguns dos meus livros infantis. Como que num desafio, ele perguntou à criançada: “E quem é Rubem Alves?” Um menininho respondeu: “O Rubem Alves é um homem que gosta de ipês-amarelos...” A resposta do menininho e deu grande felicidade. Ele sabia das coisas. As pessoas são o que elas amam. Descartes afirmou: “Penso, logo existo”. Eu inverto Descartes e digo: “Amo, logo existo”. Mas o menininho não sabia que sou um homem de muitos amores... Amo os ipês, mas amo também caminhar sozinho. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam! Eles têm fome de ver. Encantam-se com tudo...

...Escrever é minha grande alegria!...

...Vejo e quero que os outros vejam comigo. Por isso escrevo. Faço fotografias com palavras. Diferentes dos filmes que exigem tempo para serem vistos, as fotografias são instantâneas. Minhas crônicas são fotografias. Escrevo para fazer ver. Uma das minhas alegrias são os e-mails que recebo de pessoas que me confessam haver aprendido o gozo da leitura lendo meus textos...

...Não tenho medo da morte. O que sinto é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui... Escrever é meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês-amarelos...

sábado, 16 de março de 2013

De Pedro do Araguaia para o Pedro de Roma

"Toda compreensão é poesia, / clarão inaugural que névoa densa / faz parecer velados diamantes." (Adélia Prado, escritora)

        No início de março, quando ainda não se tinha a menor ideia de quem seria o próximo “Pedro de Roma” (o novo papa), os cardeais, que seriam eleitores do papa, receberam de d. Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Felix do Araguaia – MT, um belíssimo poema que foi anexo ao manifesto assinado por dois mil teólogos da libertação, dentre eles, o próprio d. Pedro.  
        Consta que isso aconteceu pela primeira vez na história da Igreja Católica. O poema foi enviado também ao papa emérito Bento XVI.


         Defensor dos índios e dos direitos humanos, dom Pedro Casaldáliga, disse ao Jornal “O Globo”, nesta quinta-feira que foi um respiro para a Igreja Católica a eleição do argentino Jorge Mario Bergoglio, um jesuíta, como novo chefe da cúria romana. Para ele, que sempre defendeu uma Igreja pobre voltada para o povo, o nome Francisco é mais que um nome. Casaldáliga espera que o novo Papa adote medidas importantes. Ele elogiou a simplicidade do sucessor de Bento XVI, o espírito evangelizador e o simbolismo do primeiro gesto ao se inclinar diante do povo, que o aguardava na Praça de São Pedro, em Roma. “Ele pediu primeiro para o povo abençoar a ele, para depois abençoar o povo. É um estilo diferente”, disse.

      “Eu temia outro (Papa). A escolha significa mudança na pessoa do Papa. Evidentemente, o Papa sozinho não é a Igreja, mas é responsabilidade de todos”, disse Casaldáliga, por telefone.

     Essa blogueira aqui concorda com Casaldáliga e espera  que o "Pedro de Roma" ouça a súplica de "Pedro do Araguaia". Oxalá! Francisco começou muito bem!
*****


DE PEDRO DO ARAGUAIA PARA O PEDRO DE ROMA:
 

“Deixa a Cúria, Pedro”




Deixa a Cúria, Pedro,
desmonta o sinedrio e as muralhas,
ordene que todos os pergaminhos impecáveis sejam alterados
pelas palavras de vida, temor.
Vamos ao jardim das plantações de banana,
revestidos e de noite, a qualquer risco,
que ali o Mestre sua o sangue dos pobres.
A túnica/roupa é essa humilde carne desfigurada,
tantos gritos de crianças sem resposta,
e memória bordada dos mortos anônimos.

Legião de mercenários assediam a fronteira da aurora nascente
e César os abençoa a partir da sua arrogância.
Na bacia arrumada, Pilatos se lava, legalista e covarde.
O povo é apenas um “resto”,
um resto de esperança.
Não O deixe só entre os guardas e príncipes.
É hora de suar com a Sua agonia,
é hora de beber o cálice dos pobres
e erguer a Cruz, nua de certezas,
e quebrar a construção – lei e selo – do túmulo romano,
e amanhecer
a Páscoa.

Diga-lhes, diga-nos a todos
que segue em vigor inabalável,
a gruta de Belém,
as bem-aventuranças
e o julgamento do amor em alimento.
Não te conturbes mais!
Como você O ama,
ame a nós,
simplesmente,
de igual a igual, irmão.
Dá-nos, com seus sorrisos, suas novas lágrimas,
o peixe da alegria,
o pão da palavra,
as rosas das brasas…
… a clareza do horizonte livre,
o mar da Galileia, ecumenicamente, aberto para o mundo.
 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Juventude em foco em 2013

“O tratamento em questão / só tem contra-indicação / a quem tem medo de viver / e prefere permanecer / estagnado”  (Flora Figueiredo, escritora)


       Com a Campanha da Fraternidade e a Jornada Mundial da Juventude (ambas lideradas pela Igreja Católica), a juventude passa a ser o foco das discussões nesse ano de 2013.
A Campanha da Fraternidade traz o tema “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8)
       A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em julho, no Rio de Janeiro, certamente será um grande evento mundial e contará com a presença do novo papa, uma vez que o atual, Bento XVI, renunciará seu cargo em 28/02/2013.
        Eu, que desde a minha juventude fui participante dos movimentos jovens,  agora, com quase vinte anos atuando na educação em São Paulo, convivo diariamente e diretamente com essa gente e sinto-me no dever de engajar nessa discussão.  Vale lembrar que há uma diferença de gerações. Mas o intercâmbio diário faz com que aconteça uma troca de aprendizagens, de maturidade e jovialidade muito significativa.
       Existem os confrontos, os choques de ideias, de gostos culturais, etc. Valho-me sempre de uma frase do grande mestre, Paulo Freire: O educador deve estar à altura do seu tempo. Pensando nela, eu perdi o medo do mouse, (com a ajuda dos meus alunos), quebrei paradigmas e mergulho na investigação sobre o universo juvenil para fazer uma integração saudável com essa “galera”.
        Mas os desafios são muitos e grandes! Enormes! E é uma busca diária para enfrentar e vencer esses desafios. A alienação, o consumismo, a perda de valores éticos e morais, a falta de hábito e gosto pela leitura, a descrença na sociedade, drogas, a desestruturação familiar, são alguns dos muitos desafios que enfrentamos ao lidar com os jovens em sala de aula e no ambiente escolar.
       Nessa caminhada, felizmente, uma lista interminável de jovens fizeram e fazem história, abrem horizontes, superam desafios a cada dia, “acorda” para a vida e atua de forma adequada na sociedade. A todos eu agradeço de coração, pois isso é a nossa recompensa e a grande fonte de energia para continuar acreditando que um novo mundo é possível.
Desejo que os jovens acolham e participam dos debates propostos em 2013.
E eu, a cada ano, ao deparar com novas turmas, ao sentir e abraçar o desafio de trabalharmos juntos, sempre penso na pergunta que Cecília Meireles faz no final do poema “Estudantes”:
"(...)
As estudantes falam com gestos delicados,
com atitudes de estátua,
enleadas em pulseiras,
e nas mãos, com ideogramas de dança,
            levantam cadernos, esquadros,
            num bailado novo:

           e medem a vida
           e descrevem o universo.

         Que mundo construirão?"

*****

      Deixo aqui um bonito poema do meu queridíssimo ex-aluno, Carlos Henrique, falando do jovem hoje: 


PRÉ - CONCEITO


Um ficar,
Dois "bagunçar",
Três piercings,
Quatro tatuagens,
Cinco malandragens,
Seis maluquices,
Sete vandalismos;
Será que é só isso?

Estamos na política,
Na educação,
Na saúde,
Na contramão...
Sofrendo o preconceito
Da generalização
Da imagem
Do jovem desta geração.

Temos quase tudo.
Mas falta o importante!
Impacto causamos,
A atenção chamamos,
Queremos nosso espaço;
Queremos igualdade,
Queremos de verdade
Ser jovens cidadãos.
Carlos Henrique 2010*


*Carlos Henrique: Estudante de filosofia (PUC-Campinas), um dos vencedores do prêmio “Ser Autor” (SEE-SP – 2010), com poema publicado no Jornal Mundo Jovem- PUC/RS