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domingo, 13 de março de 2011

A Poesia Nossa de Cada Dia

"Educar a mente sem educar o coração não é educação" (Aristóteles, filósofo grego)

ESCAPULÁRIO

No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia

(ANDRADE, Oswald de. Pau-brasil. 5. ed. São Paulo: Globo, 1991, p. 53.)

            Ao contrário dos poetas parnasianos que defendiam a poesia “perfeita”, com rimas raras, métrica rigorosa, elevado nível vocabular, quase inacessível ao povo em geral, os poetas da primeira geração modernista viam a poesia como algo cotidiano, como o pão. Não por acaso, Oswald de Andrade fez essa intertextualidade com a oração “Pai nosso”.
            Com sensibilidade, “olhar poético”, a poesia vai além do poema. Vemos poesia no pôr do sol, na criança brincando, no homem procurando comida no lixo, etc.
            Tenho, no meu “quarto de badulaques”, esse material do projeto "Viagem Nestlé pela Literatura" que acho fantástico. O fotógrafo Leonardo Colosso fez uma bela interação entre linguagens, a “Fotopoesia”, ao registrar cenas do cotidiano. Clique em cada foto,  Mire e Veja: (Espero que goste!)










sábado, 5 de março de 2011

Singela homenagem a um grande amigo que partiu

“O existir da alma é a reza...” (Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas)


           Existem pessoas que são referências para nós. Rogério Ataíde foi uma dessas pessoas em minha vida, desde a juventude. Por isso, abro um espaço hoje no Mire e Veja Travessia para uma singela homenagem ao meu grande amigo que faleceu semana passada. Estando distante, o que fazer? No primeiro momento a “ficha não cai”. Depois vem o despertar da realidade, e com ela, as lembranças, a saudade.
          Foram muitos anos de lutas. Muitos sonhos, utopias, ideais. Sementes que, felizmente, frutifica a cada dia. Impossível não reconhecer a dedicação, o compromisso e a participação de Rogério Ataíde no crescimento da consciência, organização e conquistas que há tempos vem acontecendo e crescendo cada vez mais no Estado da Bahia.
          Sua história de vida e luta se confunde com a história de vida e luta dos trabalhadores rurais e urbanos de várias categorias, dentre elas, químicos, ferroviários, funcionários públicos, etc. Mas ele não se contentava em defender os trabalhadores apenas nos tribunais trabalhistas. Queria contribuir na conscientização política dos trabalhadores e dos Movimentos Populares.
          Embora pertencendo a uma classe social elevada, transitava entre os mais humildes, como se fosse um deles; e se incomodava muito pelo fato de todos não terem os mesmo direitos. Outro dia questionei-o pelo fato de promover e custear cursos em locais “sofisticados” de Salvador.
– A diária de quatro pessoas daria para cobrir o custo de quarenta pessoas num local mais humilde, dizia eu.
- Os trabalhadores precisam também desfrutar de conforto e dignidade, dizia ele.

           Incomodava muito com a manipulação e falta de ética nos meios de comunicação. Sonhava com um jornalismo que “representasse a classe trabalhadora”. Dizia gostar muito do meu trabalho no jornalzinho “alternativo” Folha de Brotas, de alguns projetos que elaborei quando trabalhava no CENPET (Centro de Pesquisas e Estudos Trabalhistas) e me incentivava muito a fazer jornalismo. “Assim criaria um jornal para concorrer com esses jornais conservadores” – dizia ele. (Obrigada, amigo, pela confiança!)
           Tinha um coração bondoso e amável. O escritório (acho que o maior de Salvador) era aberto a todos. Acolhia vários estagiários e, pelo visto, a preferência era para “as minorias” como pobres, negros, etc. que conseguiam entrar num curso de Direito na capital baiana. Se alguma injustiça ou calúnia vinha contra ele, não via, ou preferia não ver. Tocava o barco. E, ao seu modo, fazia as coisas acontecerem. Alguns equívocos também aconteciam (no meu ponto de vista) e só mais tarde pude compreender melhor esses “equívocos”.
O meu amigo (foto) poderia viver muito bem na tranquilidade em que as suas condições sociais lhe proporcionavam. Mas preferiu “a angústia da busca, à paz da acomodação”. Preferiu defender os trabalhadores, OS OPERÁRIOS...

O PERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
Vinícius de Moraes

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

(...)
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.

(...)

Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

(...)
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

**********

ANEXOS:

MOÇÃO Nº 12.361/2011 - Assembleia Legislativa - Salvador - BA.


Moção de pesar pelo falecimento do Advogado Rogério Ataíde Caldas Pinto.

          O deputado que esta subscreve vem, na forma regimental, inserir na Ata dos trabalhos desta Casa Legislativa, Moção de Pesar pelo falecimento do Advogado Rogério Ataíde Caldas Pinto.

JUSTIFICATIVA
          É com pesar que, neste momento delicado, esta Casa Legislativa manifesta suas condolências pelo falecimento do Advogado Rogério Ataíde Caldas Pinto, no dia 23 de fevereiro, aos 72 anos.
          Pessoa de índole ilibada, dedicado às causas sociais, especialmente à luta contra opressão dos trabalhadores do campo e da cidade. Teve formação seminarista na cidade de Diamantina, chegando a exercer o sacerdócio. O amor pela causa operária, entretanto, foi mais forte.
          Pioneiro na advocacia trabalhista na Bahia, o companheiro Rogério Ataíde atuou em inúmeros sindicatos, dentre os quais Sind. Bancários, dos Trabalhadores em Telecominicações, dos Funcionários da Previdencia, Sintragri e SindBorracha. Era admirado também por sua ampla atuação no Sindicato dos Ferroviários, com o qual tinha especial dedicação e onde cativou muitos amigos.
           Mestre pela Universidade Federal da Bahia, tendo atuado também como Professor na Universidade Católica do Salvador, nosso saudoso companheiro sempre colocou sua formação socialista a serviço dos trabalhadores, sendo fundador do Partido dos Trabalhadores, assim como do extinto Centro de Pesquisas e Estudos Trabalhistas.
          Nos sindicatos por que passou, foi responsável pela formação política e capacitação gratuita do trabalhador. Sua militância inspirou inúmeros companheiros, tendo auxiliado na implementação de inúmeros sindicatos e atuando incansavelmente na defesa dos operários.
          Sem dúvida, a sociedade baiana perde um grande homem, que com sua bela trajetória de vida, nos deixa um exemplo forte a ser seguido.
          Dê-se conhecimento desta Moção ao Sindicato do Ferroviários da Bahia, Sind. Bancários, Sind. dos Trabalhadores em Telecominicações, Sind. dos Funcionários da Previdencia, Sintragri e SindBorracha e à família (R. Portugal, Edf. Status, 12º andar, Comércio, Salvador, Bahia).

            Sala das Sessões, 24 de fevereiro de 2011

            Deputado Bira Corôa

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SECRETÁRIO ESTADUAL CEZAR LISBOA LAMENTA MORTE DO ADVOGADO ROGÉRIO ATAIDE



          O Secretário de Relações Institucionais, Paulo Cezar Lisboa, divulgou nota hoje (24) lamentando a morte do advogado trabalhista, Rogério Ataíde, um dos fundadores do PT no Estado.
          "Foi com imensa consternação que tomamos conhecimento do falecimento, na madrugada de hoje, do nosso querido companheiro, Rogério Ataíde Caldas Pinto, fundador do PT na Bahia.
          Natural de Santa Maria da Vitória, Rogério atuou durante muito tempo como defensor de causas de ferroviários, petroleiros e químicos, dentre uma série de outras categorias do Estado.
         Profissional competente e engajado, foi militante fundamental na retomada dos sindicatos das intervenções do regime militar no período da ditadura. Pessoa de grande retidão moral e excelente índole, foi também um amigo fiel de todos que dele se aproximaram.
         A sua partida vai deixar enorme lacuna no coração de todos que o conheceram. Aproveito para externar também meus sentimentos e solidariedade à família enlutada".

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Morre o advogado trabalhista Rogério Ataíde Caldas Pinto

24/02/2011
É com pesar que a OAB-BA informa o falecimento do advogado Rogério Ataíde Caldas Pinto na noite de ontem (23). O corpo do advogado será velado hoje (24), às 15h, no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, em Salvador.
Rogério Ataíde tinha 72 anos, era sócio do escritório com Ailton Daltro Martins e Advogados Associados e deixou esposa e uma filha.
Fonte: Imprensa OAB-BA

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          "Que pese a vastidão do nosso vocabulário, com que adjetivo devemos nos referir a este homem menino, doutor franciscano, intelectual militante...Seu testemunho de ética e entusiasmo, que tanto nos animou, continuará sendo fonte em que beberemos para sempre. Yulo dedica trecho da música de Chico Buarque, ao companheiro. (Yulo, deputado estadual/BA)


Sonhar

“Mais um sonho impossível/ Lutar/ Quando é fácil ceder/ Vencer o inimigo invencível/ Negar quando a regra é vender/ Sofrer a tortura implacável/ Romper a incabível prisão/ Voar num limite improvável/ Tocar o inacessível chão/ É minha lei, é minha questão/ Virar esse mundo/ Cravar esse chão/ Não me importa saber/ Se é terrível demais/ Quantas guerras terei que vencer/ Por um pouco de paz/ E amanhã, se esse chão que eu beijei/ For meu leito e perdão/ Vou saber que valeu delirar/ E morrer de paixão/ E assim, seja lá como for/ Vai ter fim a infinita aflição/ E o mundo vai ver uma flor/ Brotar do impossível chão”

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Minhas Filhas

“O mundo que vamos deixar para os nossos filhos depende dos filhos que deixaremos para o mundo.” (Mário Sérgio Cortella, filósofo brasileiro)


Olá!
Estou de volta aqui no Mire e Veja com o mesmo carinho e uma imensa saudade de todos e todas.
Também preciso  mudar a periodicidade das minhas postagens, que, a princípio, não serão  mais semanalmente. Minha agenda de professora/mãe/dona-de-casa está sobrecarregada neste ano. Conto com a compreensão de todos vocês...
Começo 2011 com o poema Minhas Filhas (que eu acho lindo!) do grande poeta cearense Patativa do Assaré (foto). Ele fala do amor de um pai por suas filhas.



 MINHAS FILHAS

Minhas filhas eu vejo que são três
E cada qual é da beleza irmã,
Se eu quero Lúcia, muito quero Inês,
Da mesma forma quero Miriam.

Vendo a meiguice da primeira filha,
Vejo a segunda que me prende e encanta,
A mesma estrela que reluz e brilha,
Se olho a terceira, vejo a mesma santa.

Se a cada uma com fervor venero,
Fico confuso sem saber das três
Qual a mais linda e qual a mais eu quero
Se é Miriam, se é Lúcia ou se é Inês.

E já velho, a pensar de quando em quando
Que brevemente voltarei ao pó,
Eu sou feliz e morrerei pensando
Que as três filhas que eu tenho é uma só.



PS: Esse poema foi declamado lindamente no sarau “a poesia da canção”, pela minha, hoje, ex-aluna, Jéssica.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Feliz ano novo

“O ensino ideal, a educação ideal, que todos desejamos, há de ser uma educação para a liberdade” (Paulo Freire)



Olá!
Publico essa foto tirada pelas minhas alunas na hora do tchau depois da prova final do SAG. Achei-a representativa e desejo que, simbolicamente, represente todos os alunos e alunas que tive a alegria de conviver e caminhar juntos nesse ano de 2010. Que todos tenham sabedoria e entusiasmo para desbravar novos caminhos nesse ano vindouro.
Publico também, para nossa reflexão, um texto de Frei Betto. Além da mensagem, o texto é cheio de antíteses, paradoxos, metáforas, intertextualidades e diversos recursos linguísticos, que fica impossível ler e não gostar. (não se prendam às palavras desconhecidas; aproveitem a beleza e a profundidade do texto)
        Um feliz e abençoado ano novo para todos e todas e obrigada pelo carinho e pela excelente companhia aqui no Mire e Veja Travessia. Que em 2011 possamos Mirar e Ver muitas coisas boas e enriquecedoras; muitas boas Travessias...
Vamos ao texto:

Feliz Ano Novo

Frei Betto*

          Feliz ano-novo para os que tiveram perdas no ano velho e, ainda assim, recolhem pedras em suas aljavas. Para os colecionadores de afetos que jamais permitem que suas lagartas se transformem em borboletas. Para os cínicos repletos de palavras sem raízes no coração.
          Feliz ano-novo para as bordadeiras de emoções, que gastam a vida desfiando intrigas e agulhando a boa fama alheia. Para os céticos desprovidos de horizontes e para os que se debruçam sobre a própria solidão para contemplar abismos. Para os ressuscitadores de desgraças, para os que se escondem em seus sapatos e para os idólatras que cultuam os poderosos.
          Feliz ano-novo para os que asfixiam a criança dentro de si e para os que se fantasiam de palhaço para camuflar tristezas. Para os que gastam a vida contando dinheiro, sempre em débito com o amor. Para os que acumulam bens e desperdiçam virtudes, ajuntam poder e semeiam mágoas, galgam a fama e pisam em sentimentos.
          Feliz ano-novo para os sonegadores de esperanças e para os que creem apenas nos valores da bolsa. Para os mancos de bondade, cegos de utopias, ébrios de ambições e medrosos perante a ousadia de viver. Para os que têm asas e não sabem voar, são águias e ciscam como galinhas, guardam em si um tigre e miam como gatos.
         Feliz ano-novo para os que se agasalham com gelos e jamais dão ouvidos à sabedoria do fogo. Para os que alugam a própria dignidade e se revestem da ideologia do consenso. Para os que escondem montanhas debaixo da cama, congelam estrela estrelas no bolso e torcem o arco-íris até sangrar.
         Feliz ano-novo para os que exibem no pedestal de sua mente o próprio corpo, jejuam por razões estéticas e mendigam aos olhos alheios a moeda falsa da admiração convencional. Para os que ficam inebriados diante da paisagem televisiva e como Carolina*, veem o mundo passar na janela eletrônica. Para os que proferem palavras furtivas, segregam mentiras, sonham com elefantes de papel e tentam fugir da própria sombra.
         Feliz ano-novo para os voluntários da servidão, para os que amam amar amores e desamores alheios e nunca experimentam e êxtase de uma paixão inefável. Para os crentes desprovidos de fé, para os políticos vazios de senso cívico, para os democratas que exaltam medidas autoritárias.
         Feliz ano-novo para os que fazem de seus dias tijolos de catedrais escuras, navegam em um pingo de água e jamais perdem tempo com uma criança. Para os que cimentam árvores, fazem pontarias em orquídeas e pintam o verde de marrom. Para os que jamais escutam o silêncio, vociferam palavras sem nexo e tratam seus semelhantes como os motoristas reclamam dos buracos da estrada.
         Feliz ano-novo para os que cercam suas almas com arame farpado, abrem com foices seus caminhos na vida e, ainda assim, não sabem que rumo tomar. Para os que traçam labirintos em seus mapas imaginários, enfeitam a vida com buquês de impropérios e rasgam o ventre da água com os seixos adormecidos no leito de seus pesadelos.
         Feliz ano-novo para os que cavalgam em hipocampos grávidos de dinamites, multiplicam teorias para subtrair a prática e escondem a alegria no fundo da gaveta.
         Feliz ano-novo para os que se julgam imortais, incensam a própria imagem e tocam címbalos para os cifrões que lhes servem de prisão E para os que estão terminantemente proibidos de tomar, nas mão vazias de dinheiro, um prato de comida.
         Feliz ano-novo para todos os infelizes que fazem de sua vida luas minguantes e se vestem com escafandro de seus temores, afogados no sal de um oceano ressecado.
Novos sejam para eles o ano, a vida e o espírito, revertidos e revestidos de ensolaradas esperanças.




*refere-se à música de Chico Buarque.
*texto publicado no Jornal o Estado de S. Paulo em 31/12/1997 – A2
* grifo meu
*Frei Betto, frade dominicano e escritor, tendo publicado mais de cinquenta livros, dentre eles, “Alucinado Som de Tuba”, Ed. Ática. Ganhador de diversos prêmios literários e também pela sua luta nos movimentos de direitos humanos e sociais.













sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sarau "A Poesia da Canção"

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” (Geraldo Vandré)


         Olá, todos e todas! 
         Foi um privilégio organizar, proporcionar e vivenciar mais esse espetacular evento artístico em nossa escola. Valorizo em especial o processo, a travessia, vocês sabem disso. Mas quando o produto final fica bonito, a satisfação é imensa. Compartilho com todos os participantes, os parabéns e elogios que a mim foram transmitidos. Parabéns a vocês que participaram e souberam trabalhar em grupo, uns ajudando aos outros, compartilhando e somando talentos tornando possível mais essa vivência e apreciação artística excepcional.
        Ficaram prontas as fotos do sarau e, enfim, posso compartilhar com vocês e todos do Mire e Veja Travessia. É  apenas um pouco do muito que foi esse belíssimo e marcante trabalho.

Acompanhem-me agora nessa linda e inesquecível viagem!

TEXTO DE ABERTURA:


        Queridos alunos e alunas, ex-alunos e alunas, colegas professores, equipe de gestão, inspetores, funcionários e convidados:

         Depois do inesquecível Sarau “Nos Prados de Adélia”, e de carinhosos e insistentes pedidos de alguns alunos, voltamos aqui com o nosso segundo Sarau: “A poesia da Canção”.
         É nosso papel divulgar, instigar, sensibilizar e promover a arte, o que faremos com alegria. Desta vez, além da poesia da poesia, daremos ênfase à poesia da canção.
        O repertório é bastante rico, significativo e bonito, perpassando pelos vários gêneros e épocas da música e da poesia, pois em todos os momentos da nossa história a arte se fez presente, manifestando beleza, sentimentos, protestos e muita poesia.
        Convido todos aqui presentes a reviver, aprender, refletir, apreciar a beleza criada pelos grandes mestres da música e da literatura, hoje representados pelos nossos talentosos alunos e alunas do terceiro ano do Ensino Médio.
        Enfrentar e vencer desafios têm sido o nosso lema na educação. E eles compreenderam bem esse fato ao apresentar esse nosso segundo sarau. Confesso que o que me impulsiona a enfrentar esses desafios, além do amor à arte e à educação, é o talento, a dedicação e o carinho de vocês. Continuem aperfeiçoando seus talentos artísticos e o gosto pelas artes. Isso é fundamental nessa e em todas as fases da vida, pois amplia a visão cultural, social e histórica, aguça a sensibilidade humana e alimenta o espírito. Coisas tão raras na sociedade em que vivemos.
        Obrigada a todos da nossa escola pelo apoio dado, aos ex-alunos pela alegria do reencontro e aos alunos e alunas artistas que aqui se apresentarão agora, obrigada pela amizade, alegrias, emoções, ansiedades e expectativas vividas nos ensaios. Tudo isso nos fez crescer e estreitar laços. Desde já os meus sinceros e carinhosos agradecimentos, parabéns e boa sorte na apresentação.
Professora Eliran.

PROGRAMAÇÃO: 

MÚSICAS, POESIAS E
HOMENAGEM: Aos finalistas do concurso de redação: Caio Aparecido da Rocha Gomes, Carlos Henrique Ferreira da Silva, Emerson Costa Santos e Lucas Marinho Rodrigues. Parabéns!

FOTOS:



+ uma foto:


Espero que tenham gostado!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Poema em linha reta

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” (Fernando Pessoa, poeta português)

Olá!
Quanta correria! (Ufa!) Final de 4º bimestre... Mesmo assim dei uma passadinha por aqui, com o mesmo carinho de sempre, para:
1. Lembrar  da exposição sobre Fernando Pessoa “As pessoas de Pessoa” que estará no Museu da Língua Portuguesa somente até 31/01/2011. Já fui conferir e recomendo. A exposição está belíssima! Quem  mora em S.P. não pode perder.
2. Deixar "um poema em linha reta”. Quem de nós não já se sentiu assim como Álvaro de Campos (um dos heterônimos de Fernando Pessoa), “tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil”?



Poema em linha reta
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda  a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Concurso de Redação

“A ideia de trabalho como castigo precisa ser substituída pelo conceito de realizar uma obra” (Mário Sérgio Cortella, filósofo)


                                               Olá!
No segundo ano do concurso de redação, com a participação das terceiras séries do Ensino Médio, apresento, com muita alegria, a redação vencedora de 2010: Nas asas de Brasília, texto de Lucas Marinho (foto).
Uma redação bem poética. Parabéns Lucas! Não só pela redação, mas pelo o que você é: criativo, educado, inteligente, coerente, um ser – pensante. Tenho orgulho de ter conhecido você e tê-lo como meu aluno nesse ano de 2010. Você e os demais finalistas estão convidados a participar do Sarau de Literatura, onde receberão uma singela e bonita condecoração. Parabéns mais uma vez e obrigada por permitir compartilhar o seu bonito texto aqui no Mire e Veja Travessia.

Tema: “Brasília, capital dos brasileiros”
Redação escolhida: 1º lugar


Nas asas de Brasília

         Há 50 anos nascia Brasília, depois de um longo tempo de gestação, filha da promessa; de um sonho real. Sua extensa planície propiciou uma beleza singular de uma riqueza inconcebível. Pela mão de Juscelino Kubitschek o laço que separava o plano da sua conquista foi desatado. A alusão daquele instante, da chegada de Cabral à Vera Cruz, surgiu diante das Asas de Brasília – ali se descobria o Brasil – que nascia sob memória da morte do inconfidente Tiradentes.
        Agora sim, esta nação alçaria voo. A esperança de desenvolvimento surgia com o marco arquitetônico e urbanístico moderno que Brasília representou naquela época e que até hoje representa. Mas ela não é apenas uma cidade moderna e tampouco é somente sede dos Três Poderes. Há muito esperada, ela é a consolidação da democracia no Brasil. No coração da nação, é o cenário das decisões nacionais. É a voz do povo. Nela se estabelece também o futuro dos brasileiros.
        Ela foi palco da opressão contra a ditadura pela força da união do povo. Foi espectadora das grandes passeatas em manifestações aos direitos e à melhoria de vida. Ouvira as buzinas, os slogans, as ovações, as vaias. Por ela caminharam brasileiros cheios de esperanças e Brasília participou delas, não apenas como terra para a sua passagem, mas era uma confidente, pois nela os brasileiros se sentiam à vontade.
        Todas essas conquistas não foram para o Brasil; foram para nós, brasileiros, pois nós somos o Brasil. Brasília foi erguida capital dos brasileiros, nossa capital. Os que dela nasceram são brasilienses, oh! Brasil. E ela – Brasília – é brasileira.

Lucas Marinho Rodrigues – nº 26 – 3º C